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Tráfico de animais

Nas estatísticas sobre o tráfico de animais silvestres não existem dados específicos sobre os felinos da nossa fauna, portanto, estamos reproduzindo na íntegra a excelente matéria da Conservation International, como principal referência:

FONTE:
http://www.conservation.org/xp/CIWEB/programs/
awards/2002/brasil/judges/entries/bra_35.xml

Silêncio na Mata

Todos os anos, 12 milhões de animais são saqueados das florestas e matas brasileiras. Pelas mãos de contrabandistas, nossa fauna vai sendo escoada pelas feiras e estradas do país. Também é embarcada para portos e aeroportos da América do Norte, Europa e Ásia. É um mercado tão expressivo, que o comércio de animais silvestres já é o terceiro maior negócio ilícito do mundo: movimenta cerca de bilhões de dólares anuais, ficando atrás apenas do tráfico de armas e drogas. O Brasil, um dos principais fornecedores dessa rede ilegal, responde por pelo menos 10% de todo esse movimento clandestino. Assim, a vida selvagem vai sofrendo um extermínio lento e silencioso a cada dia.

- Oi tia, eu quero um acarajé. Quanto é?

- São 2 reais. Quer com pimenta?

- Não obrigado. Por acaso, a senhora saberia me dizer onde eu consigo um mico ou uma arara para comprar?

- Olha meu filho, sente ali no bar e espere um instante.

Chovia um pouco naquela manhã de meados do mês passado e o céu de Salvador, como não é de costume, permanecia fechado. Mesmo assim, o Mercado Modelo da capital baiana estava movimentado. Havia curiosos, comerciantes de artesanato e ambulantes por todos os lados, além de uma sonora roda de capoeira que atraía a atenção de um grupo de turistas estrangeiros.

Mas não houve tempo para distrações. Em 2 minutos, um dissimulado vendedor de fitinhas do Nosso Senhor do Bonfim debruçou-se na mesa. "Que animal você está procurando?", me abordou, indo direto ao assunto. Vestido de branco da cabeça aos pés (afinal, era sexta-feira na Bahia), ele foi listando o que tinha para pronta entrega: sagüis, papagaios, araras e jabutis.

"Queria uma arara, mas é uma ave muito grande e barulhenta. Não é perigoso levar?", arrisquei. "Não, ontem mesmo, meu amigo que tem os animais entregou umas dez araras-canindés num navio ancorado aqui no porto. Ele sempre faz isso", disse. "É só dar maracujina (calmante encontrado em farmácias) para o bicho e colocar numa caixa de papelão, que ele viaja sem dar um pio". O tal "amigo" cobrava 1000 reais pela ave. Se fosse levar mais de uma, conseguia um desconto.

Comprar ou vender animais silvestres ilegais, seja um passarinho na gaiola, sejam bichos em grande quantidade para revender, não são atividades restritas a quem domina as malandragens do tráfico. Apesar de proibido por lei desde 1967, o comércio da fauna brasileira corre livre em feiras populares, pet-shops, beiras de rios e de estradas do país. Hoje, pela internet checam-se "estoques" e encomendam-se bichos ameaçados de extinção como se vasculha uma loja de CDs em busca de raridades.

Os números que agitam esse mercado impressionam. A cada ano, estima-se que o comércio ilegal de vida silvestre (animais não provenientes de criadouros legalizados) movimente 10 bilhões de dólares no mundo. Grupos ambientalistas acreditam que o valor ultrapasse os 15 bilhões de dólares. É um negócio só menos rentável que os tráficos de drogas e de armas, superando o de pedras preciosas. Nesse submundo da clandestinidade, as mercadorias se misturam. No Rio de Janeiro, há três anos, uma grande quantidade de cocaína foi encontrada dentro de jibóias. E, nos Estados Unidos, 36 quilos da droga viajavam escondidas em cobras enviadas pela Colômbia.

Dono de uma das faunas mais diversificadas do planeta, o Brasil é um dos países mais visados nesse empório clandestino, respondendo por 10% do volume de transações. Ou seja, 1 bilhão de dólares circula nas mãos de traficantes no país. Para alimentar essa cobiça, 12 milhões de bichos - de delicadas borboletas a raras araras-azuis ou ferozes onças-pintadas - são saqueadas de nossas matas todos os anos. Cerca de 30% deles são escoados para o exterior, num processo lento e cruel de extermínio da vida selvagem.

Em uma das pontas de captação da mercadoria estão as pessoas que, desinformadas, criam bichos selvagens em casa como se fossem animais domésticos. Mas os principais fomentadores desse comércio são colecionadores particulares, proprietários de curtumes, zoológicos, aquários e centros de pesquisas no Brasil e no exterior. Outros compradores potenciais são as grandes indústrias química e farmacêutica, que utilizam animais para pesquisa em laboratórios (durante a década de 60, o Peru exportou meio milhão de primatas da região amazônica para fins científicos). E muitas vezes essas transações envolvem até mesmo órgãos supostamente fiscalizados pelo governo. "Alguns criadouros e parques registrados no Ibama participam nas intermediações", informa um ex-traficante de São Paulo.

Muitos desses estabelecimentos, mesmo legalizados, abusam da falta de fiscalização. É o que acontecia no Bwana Park, no Rio de Janeiro. No dia 15 do mês passado, fiscais do Ibama encontraram 103 animais mortos no zoológico particular, muitos ameaçados de extinção, como o jacaré-de-papo-amarelo e a onça-pintada. A polícia está investigando a possível ligação com o tráfico de drogas e de pedras semipreciosas enxertados dentro de bichos empalhados. Por outro lado, milhares de animais silvestres perdem a vida em residências particulares porque quem compra não tem informações mínimas sobre as suas necessidades.

Os bichos saem principalmente do nordeste e do norte do país. As cidades de Belém, no coração da Amazônia, e Feira de Santana, num entroncamento de estradas mal fiscalizadas na Bahia, são os maiores pólos distribuidores. A rede envolve pequenos vendedores de beira de estradas, além de caminhoneiros e motoristas de ônibus interestaduais, que transportam animais dopados em caixas de papelão. No Rio de Janeiro e em São Paulo eles são distribuídos em feiras, lojas de animais ou, eventualmente, exportados.

Nas fronteiras, vizinhos como Argentina, Paraguai, Bolívia, Peru e Colômbia receptam aves, primatas, répteis e felinos. Ali, os animais recebem documentação falsa e são enviados para a América do Norte, Europa e Ásia. Sob péssimas condições de transporte, a mortalidade é altíssima. De cada dez animais traficados, apenas um chega ao seu destino final.

Tão agressivo quanto o desmatamento, o tráfico está reduzindo drasticamente a variedade de espécies nativas, informa um relatório da ONG WWF. Nas capturas, os caçadores matam impiedosamente os animais adultos para pegar os filhotes, que são mais valiosos para o comércio. Ao retirar da natureza os bichos jovens, cai a capacidade reprodutiva e a carga genética de um grupo silvestre.

"A ararinha-azul é um triste exemplo do que o tráfico pode causar", diz a bióloga carioca Flavia Murad Ferreira, que pesquisa o comércio ilegal de animais silvestres no Brasil. Em 1985, quando descobriu-se que havia apenas três ararinhas-azuis na região de Curaçá, na Bahia, a ação dos traficantes foi rápida e eles sumiram com duas. A última ave dessa espécie (Cyanopsitta spixii) desapareceu e foi considerada extinta da natureza no início deste ano. Hoje, restam apenas seis dezenas de ararinhas-azuis em cativeiros espalhados pelo mundo.

Não fosse a iniciativa de alguns pesquisadores, outra ave brasileira teria desaparecido. A arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari), encontrada apenas no Raso da Catarina, interior da Bahia, é monitorada há 11 anos na Estação Biológica de Canudos. "Os traficantes usam equipamento de rapel para alcançar os ninhos nos paredões", conta a bióloga Tânia Marai da Silva, gerente da reserva. "Um filhote perdido é uma tragédia para a espécie", diz. Só restam 246 dessas araras na natureza. A lear, para desespero de ambientalistas, é uma das vedetes do tráfico internacional: está cotada a 60 mil dólares nos EUA, na Europa e na Ásia - principais compradores e distribuidores de animais selvagens.

Este foi o valor que o empresário Laurence Kuah Kok Choon, de Cingapura, pagou por um exemplar - recapturado pela Polícia Federal recentemente. Choon é velho conhecido da polícia. Seus funcionários já foram pegos no aeroporto de Paris com araras-azuis escondidas dentro de tubos de plástico. "Colecionadores querem bichos raros e ameaçados de extinção", diz um agente federal carioca.

O Brasil, contudo, está engessado e não consegue se mover contra o assalto, à luz do dia, de sua fauna. Os exemplos são muitos. No início deste ano, o botânico austríaco Johann Villinger foi preso num hotel de Copacabana com cobras brasileiras e ovos de aves ameaçadas, além de duas dúzias de papagaios. Sua pena? Pagou 250 reais e embarcou de volta para Viena sem os animais.

No início de agosto, a reportagem da revista testemunhou um tipo comum de descaso com crimes ambientais. Depois de uma blitz da Polícia Federal do Rio de Janeiro, na feira de Honório Gurgel, na Baixada Fluminense, cerca de 50 aves apreendidas - juntamente com seus vendedores - perambularam quase 3 horas até serem registradas numa delegacia. Sem entusiasmo com o crime considerado "menor", os delegados iam despachando o caso para outros distritos policiais. Espremidos em pequenas gaiolas e machucados, no final da via-crúcis a maioria dos pássaros estava morrendo.

Quem viaja pela BR-116, em direção à cidade baiana de Milagres, depara-se com cenas que impressionam. Ali, a 10 quilômetros de um posto da Receita Federal, crianças vendem jabutis e filhotes de micos a 25 reais o casal, como quem oferece cachos de banana. "Pode levar, eles agüentam viagens longas. Se quiser, tenho mais em casa", garante um garoto de 10 anos de idade. "Tem um americano que sempre vem comprar comigo. Ontem, um caminhoneiro levou dez macaquinhos", conta ele, excitado com a "qualidade" de sua mercadoria.

A poucos metros dali, três rapazes vendiam maritacas depenadas, com asas cortadas e cabeças pintadas de azul e vermelho com pincel atômico. "São filhotes de papagaios", tentavam enganar. Com os olhos cegados pela aproximação de brasas de cigarros, belos corrupiões ficavam quietos nos dedos de qualquer um e eram oferecidos como "pássaros domesticados". Outro vendedor tinha macacos com os caninos mutilados por cortadores de unhas - garantia de que não morderia ninguém.

"Já encontramos bichos que nem é dessa região. Prova de que chegam de vários lugares do país", explica Elbano Paschoal Moraes, coordenador executivo do Grupo Ambientalista da Bahia, o Gambá. Marco Antônio de Freitas, técnico da ONG baiana, fez uma constatação alarmante numa de suas pesquisas. Debruçado sobre registros de apreensões, ele constatou a venda clandestina de 146 espécies brasileiras só na Bahia.

"O Brasil, além de ter sua diversidade ameaçada, perde quantias incalculáveis com esse comércio", indigna-se Dener Giovanini, coordenador da Rede Nacional Contra o Tráfico de Animais Silvestres, a Renctas - principal ONG do país no combate a vendas clandestinas da fauna. "Só o mercado de medicamentos para doenças relacionadas a hipertensão movimenta 500 milhões de dólares", diz. O curioso é que o princípio ativo desses remédios é retirado de serpentes brasileiras (como a jararaca), embora o maior fornecedor mundial de venenos ofídicos seja a Suíça - país que não possui essa espécie de cobra em sua fauna.

A difícil tarefa de vigiar a vida silvestre acaba assumida por organizações independentes, como a Renctas, e alguns projetos conservacionistas. No Pantanal, o Projeto Arara-Azul colaborou decisivamente para reduzir o tráfico dessa ave. Atraídos pela beleza de sua plumagem, 10 mil exemplares foram desembarcados em cativeiros dos EUA, da Europa e do Japão, só na década de 80. O preço desse animal chegou a 30 mil dólares. "Não há mais captura em grande escala", comemora a bióloga Neiva Guedes, mentora do projeto. Por meio de um árduo trabalho de educação ambiental, antigos caçadores e criadores da arara-azul tornaram-se aliados na defesa da espécie. "Eles entenderam que ela embeleza a região e atrai o turismo", explica Neiva. Um exemplo que a Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem, que cuida do ameaçado papagaio-de-cara-roxa, do Paraná, tenta seguir para dar fim ao tráfico desse bicho. Trata-se de uma receita simples que, espera-se, seja seguida em todo o país. Antes que muitas outras espécies se calem para sempre, trazendo um trágico silêncio para nossas matas.

Para ir mais longe
http://www.renctas.org.br/, site da Rede Nacional Contra o Tráfico de Animais Silvestres, no qual há informações sobre o comércio ilegal da fauna no Brasil e no mundo. O site recebe denúncias sobre tráfico.

Saída pelos Fundos

A fauna silvestre é traficada do Brasil com mais facilidade do que se imagina. A revista teve acesso exclusivo a gravação de uma conversa telefônica entre um traficante internacional, que mora em Lisboa, e um funcionário da Rede Nacional contra o Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), que se passou por um estrangeiro tentando transportar animais do Brasil para a Espanha. A fita foi encaminhada à Interpol.

Funcionário da Renctas: "... você saberia qual o melhor lugar (para retirar animais do Brasil)? Através da Guiana ou da Argentina?

Traficante: Veja bem, a Argentina é um país corrupto por natureza. Eu conheço uma pessoa que vai buscar bebês (filhotes) de araras, tucanos, papagaios, enfim, uma série de coisas, não é? Tem uma senhora minha amiga - ela tem as aves na casa dela - que as mete dentro de uma mala, anestesiadas para durar todo o vôo. Depois, quando eu estou dentro do avião, vem uma pessoa e me entrega a mala.

Renctas: Que beleza! E isso é na Argentina?

Traficante: Não, é no Brasil. No Rio de Janeiro!

Renctas: Ok, ok...

Traficante: E depois, quando já estou aqui em Portugal, uma pessoa do aeroporto de Lisboa vai dentro do avião, pega a mala e sai. Depois encontra comigo do lado de fora do aeroporto.

Renctas: Que beleza...

Traficante: Eu praticamente nem toco nos animais!

Renctas: Você tem algum contato que poderia fazer isso para mim?

Traficante: Conheço uma das pessoas que faz isso.

Renctas: Você pode falar com ela? E depois eu te ligo?

Traficante: Sim, sim, sim! Vou tentar falar com ela hoje à noite. São 7 e meia da tarde aqui em Lisboa, você me liga amanhã nesse horário e falamos mais ...".

Dinheiro Sujo

No mercado interno, um animal da fauna brasileira dificilmente ultrapassa o preço de 1000 reais. Porém, encomendados pelo tráfico internacional, os valores são exorbitantes. Veja quanto vale em média um bicho ilegal no país e no exterior.

Mico-leão-dourado: R$ 300/ US$ 25 mil
Guará: R$ 800/ De US$ 3 500 a US$ 5 mil
Papagaio-verdadeiro: R$ 150/ US$ 800
Onça-pintada: R$ 3 mil/ US$ 10 mil
Jaguatirica: De R$ 1 500 a R$ 5 mil/ US$ 15 mil
Arara-azul: De R$ 1 500 a R$ 6 mil/ US$ 30 mil
Arara-Canindé: R$ 1 mil/ US$ 2 500
Tucano-de-bico-preto: R$ 200/ US$ 6 mil
Veado-campeiro: R$ 2 500/ US$ 10 mil

Tem Bicho na Rede

"I only buy rare cobras. Please send me details" (Compro apenas cobras raras. Por favor, mande-me detalhes), anuncia um site na internet. Com a facilidade e a garantia de anonimato oferecidas pela web, o tráfico de animais está se modernizando. Qualquer comprador com dinheiro suficiente e um computador pode encomendar um bicho raro sem sair de casa. Peixes ornamentais e sapos da Amazônia, papagaios e micos da Mata Atlântica, onças e jacarés do Pantanal ou répteis do Cerrado ficam ao alcance do teclado.

A Interpol descobriu, por exemplo, que o empresário asiático Laurence Kuah Kok Choon, pego em Cingapura com uma arara-azul-de-lear roubada na Bahia, há muitos anos usava a rede para anunciar que estava àprocura de aves raras. "É um novo e grave problema", diz Dener Giovanini, da Rede Nacional Contra o Tráfico de Animais Silvestres (Renctas). Depois de vasculhar a internet durante três meses, técnicos da ONG localizaram quase 5 000 anúncios de animais brasileiros em sites nacionais e internacionais (abaixo).

"Anúncios surgem e desaparecem no mesmo dia", informa. Sem o controle dos provedores de acesso ou dos donos dos sites, traficantes utilizam endereços famosos. Na pesquisa da Renctas, sites como o Arremate, Mercadolivre, Ibazar, Lokau e Mercado21 serviam de vitrine para a venda de bichos ilegais.

Nas Rotas do Contrabando (mapa do Brasil)

Mal fiscalizadas, as estradas do norte e do nordeste escoam a fauna brasileira. Em plena Amazônia, Belém é uma das cidades-chave na rota do tráfico interno e internacional. Outra delas é Feira de Santana, na Bahia, encravada numa malha viária que leva para o Centro-Oeste e o Sul, além de São Paulo e Rio de Janeiro (pólos exportadores da mercadoria ilegal para a América do Norte, Europa e Ásia). Nos países vizinhos, os bichos recebem documentos frios e são exportados.

Raízes do Tráfico

Ao longo da história, as riquezas naturais do Brasil sempre foram vistas sob o prisma da cobiça. O primeiro grande saque, que abriu as portas para a exploração das matas brasileiras, foi o do pau-brasil. No final do século 16, portugueses e franceses já haviam derrubado cerca de 2 milhões de árvores. Em 1605, o pau-brasil estava praticamente extinto.

Naquela época, a fauna já era pirateada: em 1511, bichos exóticos e coloridos da nova terra eram vendidos nas ruas européias. Ter papagaios, araras, tucanos e macacos era símbolo de poder. A ostentação era tanta que a indústria tratou de entrar no ramo. Penas de garças e de guarás, colhidas na ilha de Marajó, eram exportadas aos montes para a Europa e os Estados Unidos, onde serviam de adorno para chapéus femininos. Milhares de beija-flores empalhados ornamentavam casas e salas de concertos na Europa. Só num único ano, em 1932, as penas de 25 mil dessas aves foram enviadas à Itália para decorar caixas de bombom.

No Brasil, figuras públicas lançavam exclusivos modelos tropicais. Em meados do século 19, o imperador D. Pedro II exibia-se nos salões com um manto de gala todo confeccionado com pelas de galo-da-serra. Mas não se tratava de uma peça tão original. Antes dele, seu pai, D. Pedro I, encomendara um manto real com penas amarelas arrancadas do papo de tucanos (ao lado). Para isso, em 1822, o ministro José Bonifácio exigiu que o Museu Nacional entregasse todos os tucanos-de-bico-preto mantidos em sua coleção.

Fonte: http://www.conservation.org/xp/CIWEB/programs/
awards/2002/brasil/judges/entries/bra_35.xml

Não se omita
Para denunciar:
http:www.renctas.org.br

Consulte : http://www.apasfa.org/silvestres/silv1.shtml


Estadão - Abril de 2002 - Apelo (por Sandra Sato)

Brasília - Mais de 130 mil aves, macacos e felinos foram apreendidos ou recolhidos pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no ano passado. Esse volume impede o instituto de atender imediatamente solicitações de quem não quer permanecer com um animal silvestre dentro de casa Os animais que chegam ao Ibama passam por um centro de triagem. Se houver condições, são soltos em uma área de proteção ambiental. Mas os bichos em adiantado estágio de domesticação não podem ser devolvidos para a natureza.

Já desaprenderam a buscar alimentos e a se defender.
Então, o Ibama arruma vagas em zoológicos e criadouros conservacionistas. Às vezes, em uma semana o problema é resolvido. Mas a espera pode demorar meses. Nesse período, a pessoa continua com a guarda do animal.

O diretor de fauna e recursos pesqueiros do Ibama, José de Anchieta dos Santos, faz um apelo para as pessoas evitarem ter um animal silvestre em casa. "Se a população não nos ajudar, daqui a pouco não haverá lugar para tanto bicho rejeitado." Os zoológicos e criadouros estão superlotados. Os custos com a alimentação e veterinários são altos. Há estabelecimentos com 40 macacos.

Fonte:
http://www.estadao.com.br /ciencia/noticias/
2002/abr/15/27.htm

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