| Justificativa e objetivos
A preservação de felinos é um tema bastante
polêmico porque a forma correta de mantê-los vivos e
saudáveis seria reconhecê-los como patrimônio
natural criando condições para que permanecessem livres
na natureza, preservando seus habitats naturais.
Não seria difícil para os órgãos governamentais
responsáveis,a elaboração de um mapeamento
das áreas onde ainda existem maiores concentrações
de grandes felinos,transformando-as efetivamente em reservas de
proteção à fauna,fomentando então o
turismo ecológico. Igualmente importante é estabelecer
os corredores ecológicos tendo em vista as necessidades de
deslocamento constante dos grandes felinos.
Não deveriam acontecer os desmatamentos e as queimadas que
são consequências diretas da implantação
de projetos de extração de madeira,de expansão
agrícola e pastagens.
Leis de caráter punitivo com multas irrisórias são
insuficientes porque em caso de flagrante de morte ou tráfico
,o dano já está feito. Aliás,no caso específico
dos felinos a impunidade é o que predomina.Grandes infratores,como
os caçadores profissionais, pertencentes a um grupo seleto,
compram silêncios e raramente são descobertos.
Abrigar, com assistência e instalações adequadas,
qualquer espécie de felino da fauna silvestre brasileira
que se encontre em condições inadequadas de cativeiro,
implica numa pré-seleção rigorosa por parte
do Criadouro Conservacionista porque o número de animais-
problema é grande.
Pode-se atender a casos tidos como emergenciais como os dos cinco
felinos que estão sob a responsabilidade do NEX atualmente.Mas
nosso objetivo é priorizar o animal que for apreendido do
tráfico e ainda que ofereça risco a criações
domésticas em ataques a fazendas.
Estes grandes felinos são animais bastante incômodos
pois os órgãos competentes ainda não estão
aparelhados para capturá-los, translocá-los e reintroduzi-los
em outras áreas. No caso de predadores já viciados
em abater gado,não há como dar-lhes uma destinação
adequada já que as opções são os zoológicos
existentes. Em se tratando de onças a maioria dos zôos
já está com superpopulação ou não
possui estrutura adequada para recebe-las. Seria ótimo se
tudo funcionasse como deveria mas,na prática, não
é assim que acontece.
A realidade que pudemos até agora observar de perto é
que quando há um chamado em caráter emergencial a
respeito de uma onça que está atacando gado em uma
fazenda, o máximo que acontece é a visita de técnicos
para ser feita a avaliação do caso.O relatório
é feito e daí em diante o que acontece?
Ouvimos de vários fazendeiros palavras de total descrédito
em função da falta de atendimento e solução
para seus chamados. seus chamados.
Os procedimentos burocráticos acabam comprometendo qualquer
qualidade de atendimento.
Não nos compete aqui apontar responsabilidades mesmo porque
o que estamos querendo é ajudar a resolver este problema,
em parceria com os órgãos governamentais, com a plena
consciência de que a solução é difícil
e seja qual for a estratégia utilizada as onças sempre
levarão a pior.
Além da burocracia,sabemos que a maior dificuldade para
que a captura seja efetuada é a destinação
a ser dada ao animal e o NEX pretende oferecer local e instalações
de quarentena para que esta destinação seja solucionada.
Se, mediante comprovações de predação,
houver algumas capturas e destinação rápida
dos animais, talvez outros fazendeiros achem mais cômodo dar
um telefonema do que matar uma onça, infringindo a lei.
Muito do que tem sido sendo feito agora (até agosto de 2002)
em termos de preservação de felinos não está
evitando que eles sejam mortos.
O resultado é matemático:se o essencial estivesse
sendo feito a população de felinos não estaria
diminuindo a cada dia.
Apesar de todas as dificuldades estamos estruturando nosso Criadouro
Conservacionista com este propósito:salvar as vidas de animais
que estejam condenados a uma morte imediata.
Para esta tarefa estamos elaborando o projeto da área reservada
para quarentena de grandes felinos, com toda a segurança
possível de abrigo e manejo já que os animais em questão
são potencialmente muito perigosos.
Abrigando alguns destes animais ,iremos lutar para que sejam reintroduzidos
na natureza e se,em parceria com os órgãos governamentais
isto não for possível, partiremos para outros projetos
em parceria com ongs irmãs, que possibilitem aos animais
uma vida ao menos em estado semi-selvagem.
Longe de nós a pretensão de ter a fórmula
pronta mas, concretizando a área de quarentena,com certeza
haverá mais ânimo para a busca de soluções.
Com a finalidade de salvar estas vidas e,simultâneamente,
lutando por políticas de preservação menos
acadêmicas e mais objetivas, acreditamos que se justifique
plenamente a existência de um Criadouro Conservacionista especializado
em felinos.

Cristina Gianni-Presidente do NEX com Sansão
“Prova disso são os planos de manejo, que promovem
o acasalamento de espécies ameaçadas de extinção,
através do intercâmbio de machos e fêmeas existentes
em zoológicos de vários cantos do país. Animais
como o lobo-guará, o gato-do-mato, a ararinha-azul, a anta,
entre outros, estão saindo da mira dos caçadores para
ser alvo desses projetos. "Os planos de manejo devem ser cada
vez mais incentivados", afirma Cecília Amaral, chefe
do setor de ecossistemas da representação paulista
do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis (Ibama)."Quem sabe, no futuro, os animais
procriados em cativeiro possam ser reintegrados à natureza.
Antes disso, é preciso formar gerações mais
bem informadas sobre a conservação do meio ambiente.
De nada adianta preservar os animais e esquecer dos locais onde
eles vivem, ou logo não teremos sequer espaço para
soltá-los. Por isso, o trabalho de educação
ambiental que os zôos estão fazendo junto às
crianças é fundamental."
Este trecho foi reproduzido da Revista Galileu,da matéria
“A salvo no zôo”,de Cláudio Fragata Lopes
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